Associações apostam na diversificação de produtos e serviços financeiros e em consultoria.
Monte Sião - Diversificação de produtos e serviços financeiros, viabilização de consultoria empresarial aos associados, trabalho articulado com entidades representativas ou apoiadores de setores produtivos e de prestação de serviços, participação em programas governamentais de inclusão tecnológica e financeira. São estas, no momento, as preocupações dos dirigentes de cooperativas de crédito que atuam junto a micro e pequenas empresas e empreendedores, inclusive informais.
Palavras como crise ou falta de recursos para aplicação em projetos ou consumo não constaram dos debates da "Primeira Missão Técnica: Disseminando Boas Práticas - Visita ao CredMalhas", promovida pelo Sebrae Nacional e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG) em Monte Sião no Sul de Minas, nesta semana. As diferenças regionais também não foram obstáculo ao debate.
Participaram representantes de 14 cooperativas de crédito de Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Maranhão e Bahia. Outros 14 encontros semelhantes serão promovidos pelo Sebrae em outras localidades até o encerramento do primeiro semestre de 2010. As conclusões dos encontros serão publicadas e apresentadas no II Fórum Nacional de Cooperativas de Crédito de Micro e Pequenas Empresas, previsto para setembro de 2010, em Foz do Iguaçu, Paraná.
"Nossas preocupações, independentemente do porte das nossas cooperativas são as mesmas: saber concorrer, e bem, com os bancos, ganhar eficiência operacional por meio da inovação, ganhar escala por meio da ampliação contínua da nossa carteira de clientes e obter a necessária rentabilidade", afirmou Luiz Coelho, do Sicoob-Credima, de Açailândia, Maranhão, cooperativa que conta com o apoio técnico e financeiro do Sebrae.
Há alguns anos, reuniões como as de Monte Sião eram palco de choradeiras sem fim. As cooperativas não tinham, por exemplo, direito aos repasses do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Como não podem captar no mercado, ficavam restritas aos aportes dos associados. Agora a situação é inversa. Tem recursos sobrando no BNDES e as cooperativas correm para se adequar às regras que lhes permitirão acesso a esses recursos, no âmbito do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo e Orientado (PNMPO).
O impacto socioeconômico da atuação das cooperativas não se mede, entretanto, pelo volume de recursos em caixa para aplicação, próprios ou não, mas pelo que se consegue fazer com os recursos disponíveis. O Sicoob-Credsud, com sede em Francisco Beltrão (PR) e abrangência em outros nove municípios do sudoeste paranaense, por exemplo, tem R$ 6 milhões em caixa sem potencial de aplicação imediata.
"Só se pegarmos gente à laço para aplicar essa dinheirama", afirmou um de seus dirigentes, João Monfroi, logo no início do encontro. Ao final, ele reconheceu que a cooperativa ainda não deu atenção devida ao nicho representado pelos empreendedores individuais. "Não nos interessava atuar com os muito pequenininhos, mas saio de Monte Sião com outra visão", afirmou.
Show - Os representantes da CredMalhas deram um show à parte. Enquanto em Francisco Beltrão sobram R$ 6 milhões, os mineiros mostraram o que fizeram para obter do BNDES em torno de R$ 1 milhão para implantação de uma forte carteira de microcrédito. "Demora no mínimo seis meses para se fazer as adequações necessárias exigidas pelo banco, mas vale a pena. Pagaremos estes recursos em 96 meses, incluindo 24 meses de carência, a um custo de TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), mais 1,5% ao ano. Prestem atenção, ao ano", explicou Marcos Fernandes, um dos representantes da cooperativa.
São recursos baratos que dão flexibilidade e ousadia às ações da cooperativa em benefício de seus associados. Cerca de 80% das 5 mil malharias do município (2 mil formais e 3 mil informais) enquadram-se na categoria de microempresas com faturamento até R$ 120 mil ao ano, candidatas naturais a empréstimos com recursos do BNDES e que podem chegar a R$ 20 mil por tomador, 85% (R$ 15 mil) do banco e os demais 15% (R$ 5 mil) da cooperativa.
Regiões diferentes, diferentes realidades. Se em Monte Sião operações de até R$ 20 mil são consideradas de microcrédito, em Senhor do Bonfim (BA) elas não ultrapassam o valor médio de R$ 900. "Em 2006, fizemos uma reunião para jogar a toalha, fechar a cooperativa, mas a possibilidade de implantação de uma carteira de microcrédito, o Sicoob Solidário, foi a nossa salvação", afirmou Manuel Robério, do Sicoob-Bonfim.
Recursos próprios - A carteira de crédito da cooperativa totalizou, em setembro deste ano, R$ 1 milhão, e foi inteiramente movimentada com recursos próprios. "Trabalhamos com microfinanças. O microcrédito é apenas um dos produtos que oferecemos", explicou. Entre os demais estão o desconto de recebíveis (cheques e duplicatas) e seguros.
Os associados da cooperativa baiana são comerciantes, produtores rurais, empregados e trabalhadores autônomos. As operações de crédito individual variam entre R$ 500 e R$ 2 mil que agora serão ampliadas para R$ 3 mil. Os juros variam de 1,8% a 2,9% ao mês conforme o prazo de pagamento. Robério informou que devagar a cooperativa irá se estruturando, principalmente no que se refere a procedimentos tecnológicos para também se candidatar a recusos previstos no PNMPO. (ASN) Publicado em: 03/11/2009 - 14:26.
Fonte: Diário do Comércio - Belo Horizonte
